segunda-feira, 25 de abril de 2011
Entre olhares e clichês
domingo, 6 de março de 2011
Infância à venda!
*A Pauta*
Passaram por mim, descendo do ônibus, uma garota, de uns 7 anos, e sua avó. As roupas da menina, porém, não tinham nada de infantil, e antes de descerem do ônibus ouvi ela perguntar: “Vó, minha maquiagem já saiu? Ainda tô com a sombra?”.
*O Ponto*
Eu já fui uma menina de 7 anos. E como a maioria delas, eu ficava extremamente agitada quando ganhava uma “pintura” (como eu chamava na época). Era tão adulto! Usar maquiagem aos 7 anos era emocionante, era “adulto” e não era sério. Fazia parte da brincadeira, como era brincar de casinha ou de qualquer outra coisa.
Não sei se era esse o caso da garotinha no ônibus, mas o que me espanta hoje é ver que meninas de 7, 8 anos já não gostam de ser chamadas de crianças, frequentam salão e gastam tempo e dinheiro preocupadas com a própria imagem.
Fiquei pensando sobre isso, essa onda de “vaidade infantil”, e como ela também pegou os meninos. Claro que na minha infância já havia um ou outro garoto mais preocupado com o visual, mas no geral os meninos eram conhecidos por não se preocuparem com nada. Hoje, é normal encontrar meninos de 9 anos usando brinco, cortes de cabelo da moda e extremamente preocupados com o visual.
As crianças parecem viver cada vez menos a infância. Toda essa vaidade, preocupação com o visual e a imagem que os outros têm de nós, costumava ser algo que só começava na adolescência. Refletindo sobre isso, lembrei de um documentário que assisti faz um tempo aqui mesmo na internet. O filme chama “Criança, a alma do negócio” e fala sobre como a “redução” da infância cria mais consumidores, não só consumidores de artigos de primeira necessidade – comida, material escolar, lazer -, mas consumidores cheios de vontades e opiniões. (Abaixo você pode assistir a primeira parte do documentário. Ele está divido em seis partes, que você pode encontrar no youtube).
Faz bastante sentido, não é? Adolescentes são influenciáveis, parecem ter cada vez mais poder aquisitivo e costumam ter muito tempo livre (a maioria ainda não precisa se preocupar com trabalho e contas a pagar). Isso faz deles os consumidores dos sonhos do nosso sistema capitalista.
Isso tudo não é novidade. Quero dizer, há 15 anos uma lancheira já era mais do que uma simples bolsa para levar lanche para a escola, era também uma competição de quem tinha a mais recente, “da moda”, do melhor personagem. Arrisco a dizer que já bem antes dos anos 90 produtos temáticos vendiam mais e as crianças eram alvo fácil da publicidade. Mas não dá para negar que as coisas têm piorado, ou, tentando não julgar, têm ficado mais “intensas”. A TV ainda tem uma grande influência, mas ela ganhou uma poderosa companheira no computador. A internet serve muito bem para potencializar o consumista que existe em todos nós. Veja o filme! Navegue no site! E, claro, compre o produto!
Sinceramente, para que ficar falando das crianças quando eu posso perguntar: será que eu preciso mesmo daquele novo modelo de celular que só falta lavar a louça, de tão completo, e que eu fiquei morrendo de vontade de ter depois de ver tantas propagandas? No final, parece, somos todos “crianças”.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Lei da Palmada: convergências e divergências
sexta-feira, 9 de julho de 2010
A mulher no volante
Durante o trajeto que faço para ir à Pós-Graduação, pela primeira vez peguei um ônibus que estava sendo dirigido por uma motorista. De dentro do coletivo, comecei a prestar atenção na reação das pessoas que estavam nos pontos de ônibus. Resultado: uma mulher dirigindo um ônibus faz com que muitas pessoas ainda observem com um olhar de estranheza, além de fazer muitos homens olharem a cena pela segunda vez, para terem certeza do que eles realmente viram.
*** o Ponto***
Apesar de, segundo a UNESCO, as mulheres representarem 70% da população mundial, elas são consideradas, por muitos teóricos, como minoria. Pode parecer algo paradoxal, mas aqui a idéia de minoria se refere à autonomia, expressão, ter voz, contra uma sociedade arraigada em pensamentos machistas.
Desde a década de 1960, com os movimentos feministas, a mulher tem caminhado para sua emancipação, mas não é algo repentino e sim, gradativo. Afinal, uma mulher dirigindo um ônibus metropolitano ainda causa desconforto em nossa sociedade. Segundo a Doutora em História Social, Ana Maria Dietrich: “o conceito de gênero é historicamente e culturalmente construído. Dessa maneira, fomos ‘ensinados’ que determinadas profissões são masculinas e outras femininas, assim como brincar de boneca é coisa de menina e de carrinho de menino”.
Graziele Fernandes é motorista de uma empresa de ônibus há 1 ano e meio e quando decidiu que trabalharia como motorista, assim como seu pai, o primeiro conselho que ele lhe disse foi: “tenha coragem, é preciso muita coragem”. Hoje, ela sabe o porquê desse conselho. A motorista, quando questionada sobre a aceitação dos passageiros, responde prontamente: “Muita crítica, muita cara feia, principalmente de mulher, e muito preconceito”.
Ao contrário do que poderia ser suposto ou esperado, Graziele sofre preconceito em seu trabalho por outras mulheres e contou que essas passageiras não falam nada, apenas olham com um olhar que já diz tudo. A socióloga Ana Paula Ramos afirma que, “o que causa nas mulheres um preconceito ou hostilidade ao ver outra ocupando um cargo geralmente masculino, é o machismo e num primeiro momento devido ao senso comum, depois vem a questão dos valores morais serem questionados, pois ainda é novidade. E talvez a questão da inveja. Afinal, a motorista é uma mulher conquistando um espaço novo”. A doutora em História Social, também complementa esse pensamento, “geralmente, a inveja é um sentimento entre iguais”.
A sócióloga Ana Paula Ramos ainda comenta sobre o machismo no universo feminino: “sociologicamente falando o machismo feminino é a maior barreira para as mulheres aceitarem outra no mercado de trabalho. E este sentimento está relacionado com a capacidade de questionamento sobre os valores morais impostos”. Dessa forma, é realmente necessário estarmos atentos aos nossos valores e sermos constantemente autocríticos, afinal, não adianta lutar por igualdade se, na verdade, não acreditamos nela.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Quem precisa de comida?
Dentro de um coletivo paulistano, me atentei à conversa de uma senhora com outra mulher que tinha acabado de conhecer. Elas começaram a falar de emagrecimento e logo surgiu no assunto a tal da ração humana. A senhora disse para mulher que uma cunhada estava usando a ração e que ela substituía as refeições, o café e o jantar pela ração humana. Foi essa ingestão completamente precipitada que me motivou a escrever essa reportagem
*** o Ponto***
O nome não atrai. O sabor, muito menos. Mas, o que tornou esse produto um dos mais procurados em casas de produtos naturais transcende qualquer gosto insosso ou nome estranho. O motivo que tem feito muitas pessoas comprarem a ração humana está diretamente ligado à possibilidade de emagrecer mais facilmente, ou seja, sem grandes esforços. Porém, a nutricionista Adriana Matias explica como ocorre essa relação. “A ração humana colabora para o emagrecimento, mas para ocorrer o emagrecimento existem algumas orientações que ela [a pessoa] tem que se adequar, que consiste em ter um horário certo, uma alimentação balanceada, ingerir bastante líquido e fazer atividade física”.
Mas, afinal o que é ração humana?
A ração humana nada mais é que uma mistura composta por elementos ricos em fibras, a fórmula mais divulgada dessa ração contém por volta de 13 itens, entre eles: linhaça, colágeno, fibra de trigo, aveia, leite de soja, açúcar mascavo, castanha, amêndoa, gergelim e gérmen de trigo. “Por ser composta basicamente, por fibras, ajuda na absorção, ajuda no funcionamento intestinal e ajudando na absorção e no funcionamento do intestino as pessoas tendem a emagrecer”, explica o nutricionista.
Porém, ao contrário do que tem sido divulgado, inclusive nas próprias lojas especializadas em produtos naturais, não se pode substituir as refeições principais com o uso da ração. O modo certo de utilizar seria nos intervalos de refeições, misturando com suco, iogurte ou mesmo água. Segundo a nutricionista, o uso da ração é complementar e nunca de substituição. Outro fator que as pessoas que consomem ração também devem ficar atentas é na compra dessas rações já vendidas prontas, uma vez que não se sabe ao certo quais os componentes realmente foram misturados. Segundo a nutricionista, é extremamente preferível que a pessoa compre os produtos a granel e triture-os em casa, assim a pessoa também terá controle sobre o armazenamento do produto, que deve ser mantido dentro da geladeira em frasco fechado e escuro – para evitar a oxidação – durante dez dias.
Apesar de ser benéfica a saúde, se consumida conforme essas orientações, as fibras podem ser melhor aproveitadas pelo organismo se ingerida conforme a necessidade de cada pessoa. Ou seja, não é porque fez bem à sua cunhada que fará bem à você. Afinal, cada componente tem determinada função e às vezes você precisa de um elemento em detrimento de outro. Por isso, antes de consumir produtos que prometem emagrecimento sem grandes esforços, vale a pena consultar um nutricionista antes.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Ele é machão, mas tem bom coração
*** a Pauta***
Depois que o Big Brother Brasil acaba ficam as opiniões, as dúvidas e os questionamentos.
E foi ouvindo a conversa alheia em um coletivo paulistano que percebi o quanto as pessoas assistiam e torciam com esse programa. Mas, o que de fato, me serviu de pauta foi a empatia que muitos pareciam ter pelo estereótipo do vencedor dessa última edição. Mais especificamente a seguinte afirmação: “É claro que o Dourado ia ganhar, o povo brasileiro gosta de homem machão mesmo!”.
*** o Ponto***
“Ser ‘homem’, ser macho, ainda é, no plano simbólico, aquele que demonstra força, não só física, e quem tem uma objetividade que dispensa boa parte das emoções”. Foi, dessa forma, que a antropóloga Keila Pinezi, definiu o estereótipo de homem que ainda predomina na sociedade brasileira.
Porém, a última edição do programa Big Brother tentou confrontar nas telas a diversidade sexual e como a antropóloga também afirma: “A idéia é criar polêmica e colocar em xeque as diversidades, não exatamente para valorizá-las, mas para obter uma alta audiência com isso”. A audiência foi alcançada, afinal o programa não estaria na décima edição se não tivesse uma boa audiência. Mas não é apenas isso.
O programa Big Brother Brasil, segundo a historiadora social Ana Maria Dietrich, desempenha a função de termômetro social-cultural, onde as pessoas torciam por aqueles que – simbolicamente – as representavam.
Dessa maneira, percebemos a identificação de uma grande parcela dos telespectadores com o participante heterossexual e assumidamente “machão”, o que de acordo com a antropóloga é extremamente normal na América Latina, uma vez que o machismo ainda é muito comum por aqui. Porém, ambas entrevistadas se atentaram para as possíveis conseqüências de uma sociedade onde o machismo é fortemente difundido. “Isso [o machismo] tem impactos graves na sociedade como um alto índice de violência contra a mulher e o crescimento da aids, em especial entre mulheres casadas”, afirmou antropóloga.
Sendo assim, a homofobia está presente na sociedade brasileira, entretanto, há também um confronto constante entre identidades distintas, no caso a homo e a heterossexual. E o grande ponto dessa história é definido pela antropóloga Keila Pinezi: “A grande questão que se coloca é exatamente como os grupos majoritários e minoritários lidam com a diferença, com o outro. A diferença é saudável e deve ser mantida. O que precisa ser averiguado é em relação aos direitos e deveres do cidadão, seja lá qual for sua forma de viver a sexualidade”.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Apresentação...
São conversas pelos celulares, conversas com os cobradores, conversas entre os próprios passageiros. Conversas que ajudam a amenizar o cansaço e a enfrentar o trânsito caótico das cidades paulistas.
São variadas, de todos os tipos, com muitas finalidades, mas têm algo em comum: refletem a opinião da população, de uma parcela da população que em números representa a maioria, que muitas vezes não é ouvida por pesquisas, não manda cartas para os jornais e assim, não está na mídia. Ou melhor, não está pautando a mídia.
Mas, foi ouvindo essas conversas que percebi a riqueza de assuntos e possibilidades. Percebi que elas poderiam gerar inúmeras pautas diferentes, sobre assuntos que verdadeiramente as pessoas estivessem comentando e opinando.
Foi assim, que o a Pauta no Ponto surgiu...
Cada postagem será uma reportagem que eu mesma farei, sobre temas inspirados e pautados nas pessoas e suas conversas nos coletivos.
Aguardem!